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terça-feira, 4 de outubro de 2016

Eleições: Conservadorismo, fragmentação partidária e recusa à política


3 de Outubro de 2016 - 19h28 

Portal Vermelho


 Para o vice-presidente do PCdoB, Walter Sorrentino, apesar de que ainda terá 2º turno em 55 cidades, os resultados políticos atestam desde já o reflexo da “onda golpista” no país, com clara inclinação conservadora até agora. “Ao mesmo tempo, de certo modo, revelam a polarização que marca a sociedade, seja pela resistência ao golpe - cujas forças não são pequenas, embora tenham se dividido -, seja pelo lado da crise de representação, com a fragmentação do sistema partidário e recusa à política”.


 

 

Ele destaca que houve maior pulverização de legendas que alcançaram posições em governos municipais. Neste pleito, 31 partidos elegeram prefeitos; em 2012, foram 26. “Mas nas cidades que ainda completarão a segunda volta, fica mais expressiva a fragmentação - serão 8 candidatos do PSDB, 6 do PMDB, 3 cada do PSB e PSD, 2 cada PSOL, PR, PDT e PMN, 1 cada PCdoB, PHS, SD, PRB, PHA, PPS, PT, REDE, PTB e PP”.  

Sorrentino ressalta ainda os percentuais recordes de abstenções, mais votos brancos e nulos, que ficaram entre 25% e 35% ou mais em grandes centros, como São Paulo e Rio de Janeiro. Na capital de São Paulo, ultrapassaram os votos do prefeito eleito, João Doria, do PSDB. Para o dirigente comunista, os números expressam um “sentimento antipolítica, mesmo com as campanhas politizadas em grau elevado, envolvendo a noção de campos políticos em disputa”. 

Segundo ele, em termos políticos, o fenômeno mais marcante dessas eleições foi a queda de votação e conquistas de governo por parte do PT. “Evidenciou-se com clareza o efeito anti-petismo bruto, alimentado diuturnamente na ofensiva do consórcio político, empresarial, midiático e judicial contra a esquerda, Lula e Dilma”, analisa.

Além disso, aponta, forças contrárias ao golpe se dividiram. “Mesmo assim, importa registrar a alta resiliência da polarização PSDB X PT em São Paulo, dado que Haddad ficou em segundo lugar, embora com a menor votação histórica do PT na cidade. O recado do eleitor foi claro: voto útil em Doria para isolar o PT, deslocando os votos de Russomanno e Marta que, todos juntos, investiram na invisibilidade e isolamento do prefeito Haddad”, diz Sorrentino.

O vice-presidente nacional do PCdoB sublinha ainda que, entre os partidos, o PSDB saiu do pleito vencedor, dada a vitória na capital paulista e os resultados do governador Geraldo Alckmin no Estado - o que faz parte de sua ofensiva pela candidatura presidencial em 2018. O partido levou duas capitais (São Paulo e Teresina) já no primeiro turno e participará da disputa no segundo turno em outras oito. 

“Essa vitória acentua as contradições entre as forças que assaltaram o governo central, não só entre Aécio, Alckmin e Serra, como, principalmente, com o PMDB. Temer não comandou o golpe para se desvencilhar do PT e cair no colo do PSDB, à guisa de fazer o ‘serviço sujo’, como afirmou FHC, para aplainar o caminho de uma pretensa vitória presidencial tucana em 2018. Essa briga promete”, prevê o dirigente.

Nas capitais - afora o mau resultado do PT, que só venceu em Rio Branco e vai ao 2º turno no Recife - no primeiro turno, avançaram na votação PSD, PR e PRB; recuaram PSB e PSOL; mantiveram-se estáveis PMDB, PDT e PCdoB. “Mas, para quase todos, politicamente tudo dependerá do resultado do 2º turno. O PCdoB em Aracaju, o PSOL em Belém e Rio de Janeiro, o PRB no Rio de Janeiro”, avalia Sorrentino.

Para ele, no quadro dos prefeitos eleitos em todo o país já neste primeiro turno, também o mais marcante foi a queda do PT em todo o país - de 630 governo municipais, caiu para 256; seguida em outra proporção pelo recuo de prefeitos eleitos do PMDB, PSB, PTB e DEM, PPS e PV. 

Avançaram, além do PSDB, o PSD, PCdoB e PRB, PHS. Mantiveram-se estáveis o PP, PDT, PR e PSOL (que só elegeu 2 prefeitos). Por último, debutaram as legendas REDE, PROS, SD, PSL, PMN, PTN, PRP, PTdoB, PTV, PRTB, PPL, PMB e PEN.

PCdoB: mais prefeitos e vereadores 


De acordo com Sorrentino, o PCdoB alcança resultados “importantes, embora modestos” nesse contexto político. O partido lançou 320 candidatos a prefeitos em todo o país, e elegeu 80, ou seja, 25%. Alcançou 1,77 milhão de votos, mais os que computará no 2º turno em Aracaju (SE) e Contagem (MG). 

Em 2012, a legenda tinha conquistado 56 prefeituras. O que significa que houve um crescimento de 57% já no 1º turno em número de governos alcançados, que somam uma população de 2,12 milhões de habitantes. A isso, devem se somar os números de eventuais vitórias em Aracaju e Contagem. 

“Dos objetivos políticos traçados no projeto do partido, priorizando as grandes cidades do país, confirma-se o êxito provisório em Aracaju com 38,76% dos votos, primeiro lugar. Nas demais capitais, os candidatos fizeram 14,55% em Salvador, 4,36% em Florianópolis, 3,34% no Rio, 0,76% em Belém - sempre em votos válidos. Nas capitais manteve a votação estável (0,41% dos votos contra 0,46 em 2012)”, detalha Sorrentino.

Os candidatos a prefeitos apoiados pelo PCdoB venceram já no 1º turno em quatro capitais - Teresina, Boa Vista, Rio Branco, João Pessoa. Vão a 2º turno em outras sete - Curitiba, Recife, Fortaleza, Vitória, Maceió, São Luís e Macapá, afora a já mencionada Aracaju. 

O dirigente aponta como uma marca negativa dessas eleições o fato de o PCdoB não ter conseguido chegar ao 2º turno em Olinda, com Luciana Santos, e no Rio, com Jandira Feghali. Além disso, o partido perdeu vereadores em São Paulo e Porto Alegre e não elegeu nenhum no Rio de Janeiro, três importantes polos das forças populares. 

“Mas cumpriram-se outros importantes objetivos: ir ao 2º turno também em Contagem (em primeiro lugar com 27,87% dos votos); ser o maior partido no Maranhão, onde o PCdoB elegeu 46 prefeitos; manter trajetória de crescimento do número de prefeitos eleitos em 57%; fazer 15% dos votos em Salvador”, detalha. 

Nas eleições proporcionais, foram eleitos mil vereadores em todo o país, superando as marcas de 2012 (948 eleitos). Foram 20 vereadores em 15 capitais (menos que os 22 em 17 capitais em 2012). Elegeram-se no AC, AM, SE (2), BA (2), CE, GO, MA (3), MG, PB, PE, PI, RO, RR (2), PA(2). 

O partido perdeu vereadores nas capitais de SP, RS, ES, ao tempo em que recuperou vagas na Câmara Municipal da capital em PI e PB e não conquistou nas capitais do RJ e RN. 

“Há um predomínio absoluto dos eleitos na Região Nordeste, em primeiro lugar Maranhão, seguido da Bahia - respectivamente 212 e 208. Juntos, a região totaliza 696, quase 70%. Seguem-se a esses Estados os bons resultados de Minas Gerais e Ceará, nesse quesito. Há nítido declínio em SP e RJ no número global de vereadores eleitos, em comparação com os que integravam a legenda no início de 2016”, indica o vice-presidente.

Nas cidades com mais de 200 mil eleitores, 92 no total, foram eleitos 32 vereadores em 9 Estados. Em relação às demais 212 cidades do país com mais de 100 mil habitantes, o partido aguarda a compilação de mais dados, inclusive para comparação com os resultados de 2012.

“Esses dados motivarão importantes análises políticas. A Comissão Política Nacional se reúne nesta próxima sexta-feira (7), para se debruçar sobre o tema, com mais informações e análises dos Estados e exame pelo conjunto dos dirigentes nacionais”, afirma Sorrentino.

Segundo ele, na ocasião, será debatido um alinhamento nacional coerente das posições a serem adotadas no próximo turno, em locais nos quais os candidatos do PCdoB não se fazem presentes.

“Será preciso contextualizá-los no ambiente político nacional de predomínio conservador, mesmo no contexto latino-americano - com a incrível recusa ao Acordo de Paz entre governo e Farc. Tudo isso ensejará elementos para formulação de nova tática das forças de esquerda e progressistas, para resistir e abrir perspectivas novas para o Brasil e o povo brasileiro”, encerra. 


 Do Portal Vermelho



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