Pesquisar este blog

domingo, 31 de agosto de 2014

OS 12 ANOS DE LULA e DILMA: RETRATO DO NOVO BRASIL.



Esses são fatos e números  incontestáveis, para a luta política do momento e para os futuros compêndios de História. 


1. Lucro do BNDES: 

2002 – 550 milhões
2013 – 8,15 bilhões

2. Lucro do Banco do Brasil: 
2002 – 2 bilhões
2013 – 15,8 bilhões

3. Lucro da Caixa Econômica Federal:
2002 – 1,1 bilhões
2013 – 6,7 bilhões

4 Produto Interno Bruto: 
2002 – R$ 1,48 trilhões
2013 – R$ 4,84 trilhões

5. PIB per capita:
2002 – 7,6 mil
2013 – 24,1 mil

6. Dívida líquida do setor público:   
2002 – 60% do PIB
2013 – 34% do PIB

7. Produção de veículos: 
2002 – 1,8 milhões
2013 – 3,7 milhões

8. Safra Agrícola: 
2002 – 97 milhões de toneladas
2013 – 188 milhões de toneladas

9. Investimento Estrangeiro Direto: 
2002 – 16,6 bilhões de dólares
2013 – 64 bilhões de dólares

10. Reservas Internacionais:
2002 – 37 bilhões de dólares
2013 – 375,8 bilhões de dólares

11. Índice Bovespa: 
2002 – 11.268 pontos
2013 – 51.507 pontos

12. Empregos Gerados: 
Governo FHC – 627 mil p/ano
Governo PT – 1,79 milhões p/ano

13. Taxa de Desemprego: 
2002 – 12,2%
2013 – 5,4%

14. Valor de Mercado da Petrobras: 
2002 – 15,5 bilhões
2014 – 104,9 bilhões

15. Média de Lucro da Petrobras: 
Governo FHC – 4,2 bilhões p/ano
Governo PT – 25,6 bilhões p/ano

16. Falências Requeridas em Média p/ano: 
Governo FHC – 25.587
Governo PT – 5.795

17. Salário Mínimo: 
2002 – 200 Reais (1,42 cestas básicas)
2014 – 724 reais (2,24 cestas básicas)

18. Dívida Externa em Relação às Reservas:
2002 – 557%
2014 – 81%

19. Economia do Mundo:
2002 - 13ª
2014 - 7ª

20. PROUNI – 1,2 milhões de bolsas

21. Salário Mínimo Convertido em Dólares:
2002 – 86,21

22. Passagens Aéreas Vendidas:
2002 – 33 milhões
2013 – 100 milhões

23. Exportações:
2002 – 60,3 bilhões
2013 – 242 bilhões

24. Inflação Anual Média:
Governo FHC – 9,1%
Governos PT – 5,8%

25. PRONATEC – 6 Milhões de pessoas

26. Taxa Selic:
2002 – 18,9%
2012 – 8,5%

27. FIES – 1,3 milhões de pessoas com financiamento universitário

28. Minha Casa Minha Vida – 1,5 milhões de Famílias beneficiadas

29. Luz Para Todos – 9,5 milhões de pessoas beneficiadas

30. Capacidade Energética: 
2001 - 74.800 MW
2013 - 122.900 MW

31. Criação de 6.427 creches

32. Ciência Sem Fronteiras – 100 mil beneficiados

33. Mais Médicos (Aproximadamente 14 mil novos profissionais): 50 milhões de beneficiados

34. Brasil Sem Miséria – Retirou 22 milhões da extrema pobreza

35. Criação de Universidades Federais: 
Governos do PT - 18
Governos do FHC - zero

36. Criação de Escolas Técnicas:
Governo PT - 214 
Governo FHC - 0
De 1500 até 1994 - 140

37. Desigualdade Social: 
Governo FHC - Queda de 2,2%
Governo PT - Queda de 11,4%

38. Produtividade: 
Governo FHC - Aumento de 0,3%
Governo PT - Aumento de 13,2%

39. Taxa de Pobreza:
2002 - 34%
2012 - 15%

40. Taxa de Extrema Pobreza:
2003 - 15%
2012 - 5,2%

41. Índice de Desenvolvimento Humano:
2000 - 0,669 
2005 - 0,699
2012 - 0,730

42. Mortalidade Infantil:
2002 - 25,3 em 1000 nascidos vivos
2012 - 12,9 em 1000 nascidos vivos

43. Gastos Públicos em Saúde:
2002 - 28 bi

44. Gastos Públicos em Educação:
2002 - 17 bi
2013 - 94 bi

45. Estudantes no Ensino Superior: 
2003 - 583.800 
2012 - 1.087.400

46. Risco Brasil (IPEA):
2002 - 1.446

47. Operações da Polícia Federal:
Governo FHC - 48 
Governo PT - 1.273 (15 mil presos)

48. Varas da Justiça Federal:

49. 38 milhões de pessoas ascenderam à Nova Classe Média (Classe C)

50. 42 milhões de pessoas saíram da miséria

FONTES:
47/48 - http://www.dpf.gov.br/agencia/estatisticas
39/40 - http://www.washingtonpost.com
42 - OMS, Unicef, Banco Mundial e ONU
37 - índice de GINI: www.ipeadata.gov.br
45 - Ministério da Educação
13 - IBGE
26 - Banco Mundial

Jornalista americano Wayne Madsen acusa a CIA como responsável pela derrubada do jato para colocar Marina como candidata.

sábado, 30 de agosto de 2014

Tudo sugere ação da CIA e assassinato de candidato à presidência, no Brasil

30/8/2014, [*] Wayne MadsenStrategic Culture
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Marina Silva e Eduardo Campos
A queda do avião que matou o candidato à presidência do Brasil, Eduardo Campos, que estava em segundo, na disputa eleitoral, atrás só da atual presidenta, abalou fortemente as chances de reeleição de Dilma Rousseff. Sucessora de Campos na corrida presidencial, ex-líder do Partido Verde, Marina Silva – “homem” de George Soros, está agora com alguma chance de vir a derrotar Rousseff, no caso de a eleição chegar a um segundo turno. O fim do governo de Rousseff sinalizaria vitória para as atividades clandestinas do governo Obama para eliminar de cena vários governos progressistas em toda a América Latina.

Revisão do período pós-IIª Guerra Mundial revela que, de todos os meios que os serviços de inteligência usaram para eliminar pessoas que viam como ameaças econômicas e políticas, o assassinato por derrubada de avião está em segundo lugar; antes, só assassinatos por armas de fogo; depois, vêm acidentes de automóvel e envenenamento, como modus operandi preferencial da Agência Central de Inteligência dos EUA, CIA, para seus assassinatos políticos.

Os seguintes casos são os principais sobre os quais pesam muitas suspeitas de terem sido resultado de ação de uma ou mais agências de inteligência dos EUA, para pôr fim a carreiras políticas que ameaçavam o avanço dos EUA como potência imperial:

●– a morte do secretário-geral da ONU Dag Hammarskjold;
– do presidente de Ruanda Juvenal Habyarimana;
●– do presidente do Burundi Cyprien Ntaryamira;
●– do primeiro-ministro português Francisco Sá Carneiro;
●– do presidente do Paquistão Muhammad Zia Ul-Haq;
●– de Sanjay Gandhi, pouco antes de ser oficializado no posto de primeiro-ministro da Índia;
●– do presidente do Sindicato Norte-Americano Unido dos Trabalhadores da Indústria Automobilística, Walter Reuther;
●– do ex-senador pelo Texas John Tower; e
●– do senador por Minnesota Paul Wellstone.

A América Latina, em particular, tem sido atacada pela praga de desastres de aviões que mataram líderes que ameaçavam afastar o continente da influência política dos EUA: os presidentes Jaime Roldós Aguilera do Equador e Omar Torrijos do Panamá. Esses dois presidentes morreram em 1981; Roldós morreu apenas uns poucos meses antes de Torrijos. John Perkins, autor de Confissões de um Assassino Econômico e ex-membro da comunidade de inteligência dos EUA, apontou os EUA como ativos nesses dois assassinatos por derrubada de avião.

Jaime Roldós Aguilera do Equador e o avião...
Esse histórico do envolvimento dos EUA e assassinatos aéreos torna ainda mais suspeito o que aconteceu dia 13 de agosto de 2014 com o Cessna 560XLS Citation em Santos, Brasil, incidente no qual morreram Eduardo Campos, do Partido Socialista Brasileiro, mas homem pró-business, assessores seus e a tripulação do avião. O momento em que aconteceu, em plena campanha eleitoral, que então indicava vitória fácil para a atual presidenta, levantou questões significativas entre investigadores no Brasil e no público em geral.

Desde a introdução do modelo em 1996, o modelo Cessna 560XLS Citation mantém currículo de aeronave perfeitamente segura. A morte repentina de Campos mudou o rumo da campanha presidencial no Brasil, para uma direção que pode ser benéfica para os EUA e a agenda de longo curso da CIA na América Latina.

Até aqui, já surgiram questões sobre a legalidade da documentação e da propriedade da aeronave (prefixo PR-AFA). O histórico da propriedade e dos registros da aeronave é extremamente “anormal”; e, além disso, não há nenhuma gravação de conversas acontecidas na cabine, aparentemente por mau funcionamento do gravador de vozes da cabina. Muitos brasileiros já começam a perguntar se o avião teria sido sabotado: em vez de mostrar gravações da conversa da tripulação que levava o candidato Campos, o gravador só conservou gravações de voz de um voo anterior. O avião voava uma rota Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, para a cidade de Guarujá, no estado de São Paulo, quando caiu sobre um quarteirão residencial na cidade de Santos.

O avião de Eduardo Campos
O avião era operado pela empresa Af Andrade Empreendimentos & Participações Ltda., que tem sede em Ribeirão Preto, estado de São Paulo, mas cedido, em operação de leasing, pela Cessna Finance Export Corporation, uma divisão da Textron, dos maiores fornecedores para o Departamento de Defesa dos EUA. A empresa Cessna é divisão da Textron. O gravador de vozes que não funcionou na cabine foi fabricado por outro fornecedor contratado da Defesa e Inteligência dos EUA, L-3 Communications. Os negócios da AF Andrade são centrados na propriedade de uma destilaria. Porta-voz da AF Andrade disse que a aeronave, de US$ 9 milhões, não havia passado por qualquer inspeção recente, mas assegurou que a manutenção era feita regularmente.

O porta-voz da AF Andrade não soube especificar quem é, afinal, o proprietário da aeronave, só falou do leasing; disse que a aeronave estivera à venda e fora comprada por um grupo de “empresários e importadores” de Pernambuco, estado do qual Campos foi governador.

Acabou-se por descobrir que o avião fora comprado por um consórcio que incluíaBandeirantes de Pneus Ltda de Pernambuco. Essa empresa disse que havia negociações em andamento para transferir a propriedade do avião, quando aconteceu o acidente; e que a Cessna Finance Export Corporation ainda não aprovara os direitos finais de leasing. Observadores brasileiros creem que o Cessna sinistrado seria um “avião fantasma”, com propriedade “confusa”, precisamente para ser usado em operações clandestinas que envolveriam a CIA. Aviões cuja situação de propriedade e dos documentos de registro era também quase inextrincável eram usados pela CIA no processo de “entregas especiais” de muçulmanos sequestrados para serem interrogados e “desaparecidos” nos “pontos negros” de prisões norte-americanas por todo o mundo. 

A Comissão Nacional de Segurança de Transportes dos EUA [orig. U.S. National Transportation Safety Board (NTSB)] enviou uma equipe ao Brasil para investigar a queda do avião. Mas, se o trabalho da NTSB em acidentes como dos voos voos TWA 800 American Airlines 587 indica alguma coisa, a agência só tem fama por encobrir ações criminosas.

Presidentes dos BRICS - Julho de 2014
Campos foi substituído na chapa eleitoral por Marina Silva, do movimento financiado e dirigido por George Soros e suas “sociedade civil” e “globalização”. Silva, que milita no movimento religioso pentecostal “Assembleia de Deus”, é militante pró-Israel e muito mais pró-business e pró-EUA que Rousseff, do Partido dos Trabalhadores do Brasil que se posiciona bem à esquerda da Assembleia de Deus. Recentemente, Rousseff, com os demais presidentes dos países BRICS (Rússia, Índia, China e África do Sul) criaram um novo banco de desenvolvimento que desafia a supremacia do Banco Mundial, controlado pelos EUA. A criação desse banco enfureceu Washington e Wall Street. (...)

Pesquisas recentes têm apontado avanço de Marina Silva. Evidentemente, essas pesquisas de “intenção de voto” nada têm nem de científicas nem de independentes, e são ferramentas que as agências de inteligência e as empresas comerciais sempre usam para influenciar a opinião pública e gerar “programação preditiva” em populações inteiras. (...)

Marina Silva está sendo apresentada como candidata da “Terceira Via” (chamada, agora, em 2014, “Nova Política”) no Brasil.

“Terceira Via”/”Nova Política”  é movimento internacional que tem sido usado por políticos associados a grandes empresas, muitos dos quais financiados por Soros, para infiltrar-se e assumir o controle de partidos historicamente trabalhistas, socialistas e progressistas. Alguns dos nomes mais notáveis da “Terceira Via” são Bill Clinton; Tony Blair; Gerhard Schroeder, da Alemanha; Justin Trudeau, do Canadá; presidente François Hollande, da França; primeiro-ministro francês, Manuel Valls; primeiro-ministro, Matteo Renzi e ex-primeiro-ministro Romeo Prodi da Itália; José Sócrates, de Portugal; Ehud Barak, de Israel; e inúmeros nomes do Partido Verde (PV), do Partido Socialista (PSB) e do Partido da Social-Democracia no Brasil (PSDB), dentre os quais Marina Silva, Aécio Neves, o falecido Eduardo Campos e o ex-presidente [e atual NADA] Fernando Henrique Cardoso.

George Soros criador da "Terceira Via/"Nova Política" 
Mas, quando se mostra mais vantajoso do ponto de vista eleitoral assassinar um “Novo Político” para promover o avanço de outro, não parece haver problema algum nessa “Nova Política”, em eliminar alguém como Campos, para fazer avançar político mais populista (e mais controlável), como Marina Silva, sobretudo se estão em jogo interesses de Israel e de Wall Street.

O Cessna no qual viajava e no qual morreu o primeiro-ministro de Portugal Sá Carneiro voava para um comício eleitoral, em campanha de reeleição, no Porto. Esse desastre de avião destruiu as possibilidades futuras de uma Aliança Democrática de esquerda, porque os seguidores de Sá Carneiro que o sucederam não tinham, nem de perto, o carisma do primeiro candidato.

Na sequência, um Mario Soares pró-OTAN e “socialista-só-no-nome” tornou-se primeiro-ministro e empurrou Portugal pela tal “Terceira Via”, subserviente à União Europeia e à globalização. À época da morte de Sá Carneiro, o embaixador dos EUA em Portugal era Frank Carlucci, funcionário da CIA, cujas impressões digitais foram encontradas, em 1961, no assassinato do ex-primeiro-ministro Patrice Lumumba no Congo. No governo Reagan, Carlucci foi nomeado vice-diretor da CIA, Conselheiro de Segurança Nacional e Secretário da Defesa. Carlucci é também presidente emérito do Carlyle Group, conhecido pelas ligações com a CIA.

A suspeita morte de Campos no Brasil-2014 parece ser cópia-carbono do assassinato e descarte rápido de Sá Carneiro, com Rousseff como alvo final da ação e Marina Silva e seus financiadores globais como principais beneficiários.


[*] Wayne Madsen é jornalista investigativo, autor e colunista. Tem cerca de vinte anos de experiência em questões de segurança. Como oficial da ativa projetou um dos primeiros programas de segurança de computadores para a Marinha dos EUA. Tem sido comentarista frequente da política de segurança nacional na Fox News e também nas redes ABC, NBC, CBS, PBS, CNN, BBC, Al JazeeraStrategic Culture e MS-NBC. Foi convidado a depor como testemunha perante a Câmara dos Deputados dos EUA, o Tribunal Penal da ONU para Ruanda, e num painel de investigação de terrorismo do governo francês. É membro da Sociedade de Jornalistas Profissionais (SPJ) e do National Press Club. Reside em Washington, DC.

Um mito e algumas verdades sobre os tributos no Brasil


Debate questiona crença segundo a qual carga tributária brasileira é “altíssima”. Problema real é outro: ricos e poderosos pagam pouquíssimo; somos o país dos impostos injustos
— publicado 29/08/2014 18:24

140831ricos560x390.jpg

“O contador e sua mulher”, de Marinus van Reymerswaele, 1539

[Este é o blog do site Outras Palavras emCartaCapital.

 Aqui você vê o site completo]

Ao longo do processo eleitoral deste ano, um mito voltará a bloquear o debate sobre a construção de uma sociedade mais justa. 

Todas as vezes em que se lançar à mesa uma proposta de políticas públicas avançadas, demandando redistribuição de riquezas, algum “especialista” objetará: “não há recursos para isso no Orçamento; seria preciso elevar ainda mais a carga tributária”. 

A ideia será, então, esquecida, porque a sociedade brasileira está subjugada por um tabu: afirma-se que somos “o país com impostos mais altos do mundo”. 

Sustenta-se que criar novos tributos é oprimir a sociedade. Impede-se, deste modo, que avancemos para uma Reforma Tributária.

A partir das 10h desta sexta-feira (29/8), três conhecedores profundos do sistema de impostos no Brasil enfrentaram este mito, num debate transmitido por webTV (acesse aqui). 

O auditor da Receita Federal Paulo Gil Introini, ex-presidente do sindicato nacional da categoria e os economista Jorge Mattoso Evilásio Salvadorargumentaram, com base em muitos dados, que o problema da carga tributária brasileira não está em ser “a mais alta do mundo” (uma grossa mentira), mas em estar, seguramente, entre as mais injustas do planeta.

 Os grandes grupos econômicos e os mais ricos usam seu poder político para criar leis que os isentam de impostos — despejados sobre as costas dos assalariados e da classe média. 

A mídia comercial esconde esta realidade, para que nada mude. No debate, organizado em conjunto pela Campanha TTF Brasil e Fundação Perseu Abramo, emergiram alguns fatos muito relevantes, porém pouquíssimo conhecidos.

> A carga tributária brasileira não é a “mais alta do mundo”, mas a 32ª (entre 178 países). 

O cálculo é de um estudo comparativo da Fundação Heritage, um thinktank norte-americano conservador — mas com algum compromisso com a realidade.

> A carga tributária subiu consideravelmente, de fato, entre 1991 e 2011. Passou de 27% do PIB para 35,1%. 

Porém, a parte deste aumento de arrecadação foi consumido no pagamento de juros pelo Estado — quase sempre, para grandes grupos econômicos. 

A taxa Selic subiu para até 40% ao ano nas duas crises cambiais que o país viveu sob o governo FHC.

 O aumento do gasto social (de 11,24% do PIB para 15,24%, no período), que ocorreu de fato, a partir de 2002, consumiu apenas parte do aumento da receita.

> O poder econômico usa uma série de expedientes para livrar-se de impostos. O principal é a estrutura tributária brasileira. 

Ela foi cuidadosamente construída para basear-se em impostos indiretos (os que incidem sobre preços de produtos e serviços) e reduzir ao máximo os impostos diretos

Há duas vantagens, para as elites, nesta escolha. 

a)Impostos indiretos são, por natureza, regressivos. A alíquota de ICMS que um bilionário paga sobre um tubo de pasta de dentes, uma geladeira ou a conta de luz é idêntica à de um favelado; 

b) Além disso, assalariados e classe média consomem quase tudo o que ganham — por isso, pagam impostos indiretos sobre toda sua renda. Já os endinheirados entesouram a maior parte de seus rendimentos, fugindo dos tributos pagos pelo conjunto da sociedade.

> Esta primeira distorção cria um cenário quase surreal de injustiça tributária.

 Um estudo do IPEA(veja principalmente o gráfico 2, à página 6) revela que quanto mais alto está o contribuinte, na pirâmide de concentração de renda, menosele compromete, de sua renda, com impostos. 

Por exemplo: os 10% mais pobres contribuem para o Tesouro com 32% de seus rendimentos; enquanto isso, os 10% mais ricos, contribuem com apenas 21%…

> Basear a estrutura tributária em tributos indiretos é uma particularidade brasileira, que atende aos interesses dos mais ricos. 

Aqui os Impostos sobre a Renda respondem por apenas 13,26% da carga tributária. 

Nos países capitalistas mais desenvolvidos, membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), os impostos diretos correspondem a 2/3 do total dos tributos.

> Além disso, e sempre em favor dos mais poderosos, o Brasil praticamente renuncia a arrecadar impostos sobre o patrimônio. 

Aqui, os tributos que incidem diretamente sobre a propriedade equivalem apenas a 1,31% do PIB. Este percentual chega a 10% no Canadá, 10,3% no Japão, 11,8% na Coreia do Sul e 12,5% nos Estados Unidos…

> Ainda mais privilegiados são setores específicos das elites. 

O Imposto Territorial Rural (ITR), que incide sobre a propriedade de terra, arrecada o equivalente a apenas 0,01% do PIB. 

A renúncia do Estado a receber tributos sobre os latifundiários provoca, todos os anos, perda de bilhões de reais — que poderiam assegurar, por exemplo, Saúde e Educação públicas de qualidade.

Nos últimos treze anos o Brasil viveu um processo real — embora ainda muito tímido — de redistribuição de renda. 

Entre 1991 e 2002, o Coeficiente de Gini caiu de 0,593 para 0,526, depois de décadas de elevação (segundo este cálculo, quanto mais alto o índice, que vai de 0 a 1, maior a desigualdade). 

Ainda é muito pouco: segundo cálculos do Banco Mundial, em 2013 o país era o 13º mais desigual do mundo.

 Para continuar reduzindo a desigualdade, uma Reforma Tributária é instrumento essencial. 

Não é por outro motivo que as elites insistem em manter este conservar este tema como tabu.

Aranha e o racismo: enfrentamento no dia a dia é necessário

Memória: queimando a língua com as pesquisas

Republicado do VIOMUNDO

20/04/2010

AS PESQUISAS: QUE USO PODE SER FEITO DELAS?

publicado originalmente em 26/10/2008

por Luiz Carlos Azenha

As pesquisas são uma fotografia de um determinado momento da campanha eleitoral. E não merecem 100% de confiança. Há muitos casos de uso das pesquisas para influenciar o eleitorado. E há erros grosseiros. Eu mesmo já narrei a seguinte história no site:

Na minha carreira de jornalista, já vi erros aflitivos. Em 1985, como repórter da TV Manchete, fui para a sede da Folha de S. Paulo, na Barão de Limeira, para transmitir a apuração das eleições municipais em que se enfrentavam Fernando Henrique Cardoso e Jânio Quadros.

A TV Globo era acusada por Jânio de trabalhar abertamente em favor de FHC. Na TV Manchete tínhamos liberdade de colocar qualquer bobagem no ar, inclusive as ditas por Jânio. Uma pesquisa não-científica da Rádio Jovem Pan, baseada em entrevistas nas ruas, dava vitória de Jânio. Porém, as primeiras pesquisas de boca-de-urna do Datafolha davam vitória de FHC.

E eu enrolava o público, ao vivo, diante de resultados que não batiam com os da pesquisa Datafolha. A certa altura, os números trombavam tanto que um diretor da TV Manchete me instruiu, por telefone: “Entrevista o diretor do Datafolha, peça para ele explicar.” Foi o que fiz. E ele: “É que a apuração começou primeiro em bairros onde Jânio é popular. À medida em que os votos forem chegando ao TRE, de outras regiões da cidade, nosso resultado vai se confirmar.”

O tempo passou. E nada da pesquisa do Datafolha bater com o resultado da contagem dos votos. Até que o diretor da TV Manchete, Pedro Jack Kapeller, ligou de novo: “Esquece o Datafolha. Dá o resultado da apuração que o Jânio vai ganhar.” Foi o que passei a fazer. Batata. Deu Jânio Quadros e ele reservou para a TV Manchete a primeira entrevista ao vivo, no estúdio da própria emissora, na rua Bruxelas, em São Paulo.

Não foi minha única experiência do gênero. Em 2004 eu estava no teto da sede da TV Globo em Nova York, no dia da eleição entre George W. Bush e John Kerry, pronto para entrar ao vivo no Jornal Nacional.

Foi quando recebemos ordem, vinda do Rio de Janeiro, para dar o resultado de uma pesquisa de boca-de-urna da Zogby, indicando vitória de Kerry sobre Bush. Ficamos todos apreensivos, mas como era ordem vinda diretamente do Ali Kamel, não teve jeito. Ainda bem que em seguida, provavelmente sem saber dos bastidores do episódio, o repórter William Waack entrou ao vivo de Boston e disse que era preciso ter cuidado com as pesquisas.

Não deu outra: Bush venceu e eu arquei com as consequências de ter dado uma notícia desmentida pelos fatos.

zogby.JPG

Hoje, de novo, lá está o Zogby afirmando, segundo a FolhaOnline:

“As coisas estão pendendo de volta para McCain. Seus números estão aumentando e os de Obama estão caindo em uma base diária. Parece haver uma correlação direta entre isso (mudança nas pesquisas) e McCain falando sobre economia”, disse o pesquisador John Zogby.

O problema é que ele faz essa declaração montado em uma pesquisa em que foram ouvidos 1.203 eleitores, com margem de erro de 2,9%, que indica vantagem de Barack Obama sobre John McCain de 5%.

Se você consulta a pesquisa do Rasmussen, feita com 3.000 eleitores e margem de erro de 2%, Obama tem 52% a 44%. Faz 31 dias que o democrata tem entre 50% e 52% da preferência do eleitorado.

Além disso, não se pode descartar o que o próprio John Zogby disse em 2004:

Bush perdeu essa eleição faz muito tempo.

De acordo com a previsão de Zogby, John Kerry teria 311 votos no Colégio Eleitoral, contra 213 de Bush.

Bush venceu por 286 a 251.

Houve má fé? Não dá para dizer que sim. Mas no caso da Penn, Schoen & Berland, tudo indica que sim.

No referendo revogatório de Hugo Chávez, em 2004, a empresa divulgou em Nova York, quando as urnas ainda estavam abertas na Venezuela, uma previsão de que Chávez perderia por 59 a 41%. A legislação venezuelana proibia a divulgação de pesquisas, mas a empresa burlou a lei divulgando a pesquisa nos Estados Unidos e disseminando o resultado pela internet na Venezuela. Chávez venceu por 59% a 41%.

Douglas Schoen atribuiu o resultado à “fraude maciça”. Que é justamente o papel que se esperava dele em uma disputa marcada pela controvérsia: tirar a legitimidade do resultado. 

Em 2006, de novo, a empresa cometeu um erro grosseiro na Venezuela. Em 15 de novembro publicou uma pesquisa dizendo que Chávez tinha vantagem de 48% a 42% sobre Manuel Rosales. Dias antes da votação, Douglas Schoen disse que o resultado seria apertado. Chávez venceu com quase 63% dos votos

A PBS teve contratos com o Departamento de Estado americano, o que talvez ajude explicar os “fenômenos” acima citados.

Meu ponto: é preciso ficar de olho na utilização que se faz de pesquisas eleitorais, especialmente em eleições apertadas. A margem de erro muitas vezes justifica as previsões mais cabeludas.

Adendo: Obama venceu com 52,9% dos votos, contra 45,7% de John McCain.




sábado, 30 de agosto de 2014

O Deus Mercado no comando: Marina quer instituir um poder moderador dos gastos governamentais


Blog OUTRAS BOSSAS

30/08/2014

Mário Simões 

Nesta semana foi divulgado o Programa de Governo de Marina Silva.

 Coordenado por Neca Setúbal, filha do Itaú, o texto institui uma tutela aos gastos do governo e adota um quarto poder, "independente e sem vinculação a nenhuma instância de governo", algo como o Poder Moderador instituído na Constituição de 1824 pelo Imperador Dom Pedro I. 

O monarca atual, aquele legitimado pelo direito divino, conforme os operadores da candidatura de Marina, é o mercado, sagrado e inviolável. 

Este novo poder recebeu o nome de Conselho de Responsabilidade Fiscal (CRF).








Está na página 46 do “Plano de ação para mudar o Brasil”, da Coligação Unidos pelo Brasil, de Marina Silva, que reúne o PSB, a REDE (ainda uma ficção), o PPS, o PPL, o PRP, o PHS e o PSL:

No início do texto intitulado “Para reduzir e manter baixa a inflação” estão descritos os três fundamentos básicos da macroeconomia: “metas de inflação críveis”; “superávit necessário”; e “taxa de câmbio livre”.

O primeiro e o terceiro fundamentos são temas para o Banco Central, que passará a ter total independência.

O segundo fundamento merece atenção destacada: “gerar o superávit fiscal necessário para assegurar o controle da inflação − a médio prazo, os superávits devem ser não só suficientes como também incorporados na estrutura de operação do setor público, de tal maneira que possam ser gerados sem contingenciamentos”.

Gerar o superávit fiscal depende diretamente dos gastos do governo. 

Após os governos de Lula e Dilma, que teimaram em transformar o Estado em agente ativo na política econômica, o mercado quer ações mais enérgicas para garantir controle sobre o segundo fundamento, controlar gastos.

Diz o texto:

“Criar o Conselho de Responsabilidade Fiscal (CRF), independente e sem vinculação a nenhuma instância de governo, que possa verificar a cada momento o cumprimento das metas fiscais e avaliar a qualidade dos gasto públicos. 
O propósito será acompanhar a execução do orçamento da União, aprovado pelo Congresso Nacional. 
Além de tratar do andamento de receitas e despesas ao longo do ano, este órgão deverá evoluir em direção à análise de horizontes mais longínquos e fornecer instrumentos para o planejamento público, de caráter transversal, a longo prazo. 
Os quadros desse conselho deverão ser escolhidos por critérios técnicos, com regras transparentes, estabelecidas em leis e aprovadas pelo Congresso”.

O artigo 10 definia que “os Poderes Politicos reconhecidos pela Constituição do Imperio do Brazil são quatro: o Poder Legislativo, o Poder Moderador, o Poder Executivo, e o Poder Judicial”.

O conceito do Poder Moderador partiu do pensador Henri-Benjamin Constant de Rebeque (1767-1830) e seria a função natural do poder real em uma monarquia constitucional, a de um mediador neutro.

 O “mediador neutro” em questão era somente um eufemismo. 

Na verdade, conforme o seu artigo 98, a constituição imperial definia que “o Poder Moderador é a chave de toda a organisação Politica, e é delegado privativamente ao Imperador, como Chefe Supremo da Nação, e seu Primeiro Representante, para que incessantemente vele sobre a manutenção da Independencia, equilibrio, e harmonia dos mais Poderes Politicos”. (texto original nas bases de dados do Palácio do Planalto)

No artigo seguinte, o 99, afirmava que “a Pessoa do Imperador é inviolavel, e Sagrada: Elle não está sujeito a responsabilidade alguma”.

Da mesma forma, o novo monarca da vida nacional, na concepção expressa dos operadores da campanha de Marina Silva, o mercado, também é inviolável e sagrado e deve velar sobre a manutenção da independência, equilíbrio e harmonia da economia.

Dessa maneira, fica claro que, conforme o texto do programa de Marina, a independência do Banco Central não é suficiente. 

Além da macroeconomia, o que se pretende é controlar as despesas concretas, os empenhos dos recursos no dia a dia do governo. 

Mais do que isso, o CRF deve cuidar também do planejamento: “evoluir em direção à análise de horizontes mais longínquos e fornecer instrumentos para o planejamento público, de caráter transversal, a longo prazo”.

D. Pedro I, descendente da Casa de Bragança dos reis portugueses, remete às monarquias europeias e seu direito divino. 

O Direito Divino dos Reis legitimava a soberania do monarca no Estado Nacional.

 Por isso, o monarca estava acima dos poderes e de toda a nação e a própria constituição reconhecia a sua sacralidade.

Apoiado no poder moderador, o imperador podia nomear e demitir ministros, ser o voto diferencial em eleições e estabelecer ou revogar normas dos demais poderes.

Marina, como presidente, e os próximos presidentes eleitos pelo povo seriam somente gestores de uma política econômica previamente definida pelo Banco Central e pelo Conselho de Responsabilidade Fiscal - não se esqueça que ambos serão tratados por leis específicas definindo os seus poderes e aprovados sob uma forte pressão se houver mesmo a vitória dessa proposta nas urnas.

Assim, o mercado terá, além do Banco Central, um conselho de notáveis tutelando os representantes eleitos pelo povo. 

Exatamente como no Império, um poder autocrático, legitimado por um direito alheio ao outorgado pelo povo.

Na democracia, a renovação periódica do mandato é validada pelo voto popular. 

A indicação dos membros do CRF, "independente e sem vinculação a nenhuma instância de governo", não dependerá de voto. 

Será definida pela vontade autocrática de um moderador, tocado por "um direito divino" modernamente chamado de "critérios técnicos, com regras transparentes". 

Como se a economia e sua repercussão na vida cotidiana das pessoas pudesse restringir-se a critérios técnicos, mesmo que com regras transparentes.

Alguém acredita que o Conselho de Responsabilidade Fiscal irá “acompanhar a execução do orçamento da União” para resguardar a aplicação dos recursos oficiais na garantia da equidade social, da correção de desigualdades e na afirmação de políticas socialmente justas?

Marina, apesar de evangélica, entrega o poder de seu governo a outra divindade, o deus mercado dos tempos modernos, e nomeia, com “critérios técnicos, com regras transparentes, estabelecidas em leis e aprovadas pelo Congresso”, seus profetas e guardiães, aqueles que irão fazer cumprir um dos seus mandamentos: não gastarás mais do que o necessário para que sobre recursos para o pagamento de juros ao capital financeiro.

Ao votar em Marina, você entrega para este deus moderno, o mercado, o destino do país. E, recíproca verdadeira, não deixa também de acender uma vela ao diabo.

Outro aspecto curioso é que os conservadores de plantão e a grande mídia, que saíram raivosos contra o Decreto nº 8.243, de 23 de maio de 2014, que institui a Política Nacional de Participação Social (PNPS) e o Sistema Nacional de Participação Social (SNPS), estão mudos e calados sobre o Conselho de Responsabilidade Fiscal.

Enquanto o decreto definia regras para o debate com a sociedade, o Conselho é criado com o propósito de “acompanhar a execução do orçamento da União”, claramente substituindo uma atribuição do Poder Legislativo – fiscalizar o governo e analisar e propor políticas expressas na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e no Orçamento da União.