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sexta-feira, 6 de outubro de 2017

"Brasil: O Grande Passo para Trás" (documentário francês sobre o golpe)

O documentário das jornalistas francesas Fredérique Zingaro e Mathilde Bonnassieux chamado "Brésil: Le Grand Bond en Arrive" ("Brasil: O Grande Passo para Trás") retrata as consequências do golpe e a tomada de poder por uma classe política corrupta e dedicada a seus próprios interesses.
O filme foi exibido no sábado, 30/09, na programação do Festival Biarritz América Latina 2017.

Assista aqui:

https://youtu.be/XDZ5UtlsqdA

Quanto mais se clicar em INSCREVER-SE, mais o video aparece no youtube.
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quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Aldo Arantes: Os empresários e as eleições 2018

Por Aldo Arantes, no Blog do Renato:

Enquanto o Congresso discute a questão do financiamento de campanhas eleitorais procurando uma saída para a proibição do financiamento empresarial, os empresários se preparam para interferir, com muito dinheiro, no resultado eleitoral do próximo ano.

Segundo matéria de O Estado de São Paulo, de 1º de outubro, a inciativa é liderada pelo movimento Renova Brasil que visa, particularmente, a “renovação” do perfil do Congresso. Tal movimento é dirigido por Eduardo Mufarej, do Fundo Tarpon e sócio da BRF (Sadia e Perdigão) e da Somos Educação.

Dentre os empresários que estariam sendo contatados para a formação deste fundo de campanha destacam-se Jorge Paulo Lemann (ABI/IMBEV), Abílio Diniz (sócio da BRF e do Carrefour), Armínio Fraga (Ex-presidente do BC e sócio da Gávea Investimentos), Nizan Guanaes (publicitário), Jayme Garfinkel (Porto Seguro), Carlos Jereissati Filho (Iguatemi), Jorge Gerdau Johannpeter (Gerdau), Walter Schalka (Suzano), Rubens Ometto (Cosan) e Pedro Passos (Natura).

Comentando esta iniciativa o fundador da Localiza, Salim Mattar, afirmou que “o Brasil está nessa situação porque nunca foi liberal, está colhendo frutos de malfadadas tentativas socializantes”.

Por outro lado Flávio Rocha, presidente da Riachuelo, destacou que João Doria é o “melhor vendedor de um plano como “Ponte para o Futuro”. E conclui afirmando que “está em jogo um eventual retrocesso ideológico ou um salto rumo ao capitalismo moderno” e se “queremos um País voltado ao indivíduo ou um Estado grande”. Ou seja, um capitalismo da mais completa liberdade para o capital explorar a força de trabalho, sem o estado democrático exercendo o papel de regulador das relações econômicas e sociais.

O empresários não se sentem satisfeitos com os altos lucros que obtêm. Para amplia-los torna-se indispensável ter um governo e um congresso que aprofundem a política neoliberal de corte de direitos dos trabalhadores, de aumento da lucratividade do capital e que assegure a entrega do nosso patrimônio aos capitais estrangeiros. Trata-se de comprar, de forma aberta, a representação política para defender seus interesses e tentar impedir a eleição do ex-presidente Lula.

A ofensiva por uma política que aprofunde, mais ainda, a desigualdade social ocorre quando se constata o nível que ela já atingiu no País. Neste sentido a Carta Capital, com a chamada de capa O paraíso dos super-ricos, divulgou o relatório intitulado A DISTÂNCIA QUE NOS UNE – um retrato da desigualdade brasileira, apresentado pela ONG OXFAM Brasil, na segunda-feira (25 de setembro). De acordo com seus estudos apenas 5% da população dos mais ricos recebe mensalmente o mesmo que os demais 95%. A desigualdade patrimonial é igualmente escandalosa.

E seis brasileiros concentram a mesma riqueza do que a metade mais pobre da sociedade. Segundo a Revista Forbes são eles: Jorge Paulo Lemann – AB/IMBEV que detém um volume de recurso no valor de 29,2 bilhões de dólares; Joseph Safra – Banco Safra, 20,5 bilhões de dólares; Marcel Telles- AB/IMBEV,14,8; Carlos Alberto Sicupira – AB/IMBEV, 12,5; Eduardo Saverin – Facebook , 7,9 bi e Ermirio Pereira de Morais – AB /IMBEV, 3,9 bi.

Juntos possuem uma fortuna estimada em 88,8 bilhões de dólares, ou seja duzentos e oitenta e três bilhões de reais, o equivalente à soma de todos os bens de 100 milhões de brasileiros. O esforço de ampliar mais ainda esta situação é um verdadeiro escândalo num país de milhões de desempregados.

E o ex-presidente do Banco Central, Affonso Celso Pastore, dá uma clara indicação das medidas que o segmento empresarial vai exigir do futuro Congresso ao afirmar que há muito a fazer no plano fiscal, destacando a reforma da previdência como a mais importante das medidas a serem adotadas. Mas, ao mesmo tempo, diz que é fundamental uma “reforma tributária racional”.

A racionalidade desta reforma reside em reduzir os impostos pois sem isto os “nossos empresários nunca vão parar de pedir mais subsídios ao lado do câmbio mais depreciado”. Ao ressaltar as consequências da redução dos impostos para os empresários fica claro que a redução é para os ricos e não para os contribuintes pobres.

Isto numa fase do desenvolvimento capitalista onde a concentração da riqueza levou Thomas Piketty, em seu livro, A Crise do Capital no século 21 – crônicas dos anos em que o capitalismo ficou louco, a afirmar “para fazer retroceder os paraísos fiscais e, mais ainda, para colocar em marcha as regulações financeiras, sociais e meioambientais necessárias para retomar o controle do capitalismo mundializado, que se tornou louco, a arma comercial será indispensável”.

A afirmação de que o capitalismo ficou louco decorre do aprofundamento da concentração de renda já constatado em seu livro O Capital. Sua avaliação é a de que a corrida por maiores ganhos do capital se aprofunda cada vez mais.

Em oposição à situação atual Piketty relata as medidas adotadas, pelo Presidente Rooselvet. Destaca a elevação dos impostos dos mais ricos para enfrentar a crise e revela que os impostos federais sobre as rendas mais altas se elevou em 1932 de 25% a 63 %. Em 1936 a 79% e em 1941 a 91% para, em seguida, ir caindo até chegar ao seu nível mais baixo nos governos Reagan-Bush quando a política neoliberal já estava sendo implantada. Agora o Presidente Trump fala em cortes radicais nos impostos dos segmentos de mais altas rendas sob a justificativa de estímulo ao investimento.

Esta é a lógica, também, utilizada no Brasil. Para combater a crise não são adotadas medidas para que o segmento empresarial dê sua contribuição. E as medidas adotadas se voltam para melhorar seus rendimentos e agravar as condições de vida dos trabalhadores.

Evidenciando o processo regressivo que o mundo enfrenta sob o neoliberalismo, o autor destaca que “Reduzir massivamente seu peso (dos impostos sobre heranças) só dará mais consistência à ideia de que no século XXI se consolida um hipercapitalismo que nem sequer aplica impostos ao capital vigentes no século XIX”.

Esta é a situação vivida no Brasil. É a ponte para o passado que o povo brasileiro terá que derrubar!

* Aldo Arantes é deputado Constituinte de 1988. Membro da Comissão Política do Comitê Central do PCdoB.

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

O tsunami reacionário que abala o Brasil


domingo, 1 de outubro de 2017

O tsunami reacionário que abala o Brasil

Por João Filho, no site The Intercept-Brasil:

Em março de 2013, Dilma ostentava 65% de aprovação popular nas pesquisas, maior que Lula e FHC no mesmo período de governo. Segundo o Datafolha, os brasileiros estavam otimistas com a situação econômica pessoal e acreditavam no poder de compra dos salários. Apenas três meses depois, logo após as Jornadas de Junho, a popularidade da presidenta despencou, uma queda de 27 pontos. Foi a maior redução de aprovação de um presidente entre uma pesquisa e outra desde que Collor confiscou as poupanças. 

Enganou-se quem achou que as manifestações de junho teriam um efeito renovador nas eleições. No ano seguinte, o Brasil elegeu o congresso mais conservador desde 1964. Em 2016, este mesmo congresso derruba a presidenta reeleita através de um golpe parlamentar. PMDB e PSDB assumem o poder, dão um cavalo de pau ideológico e formam um governo reacionário como há tempos não víamos.

Em 2017, estamos diante de um quadro sombrio: um entusiasta da tortura no regime militar tem 21% de intenções de voto a um ano da eleição presidencial; o STF decide que professores das escolas públicas podem promover uma crença específica em sala de aula; o projeto Escola Sem Partido passa a ser aprovado em algumas cidades; um deputado quer mudar a Constituição para voltar a criminalizar o aborto; museus viraram alvo da fúria moralista; e o General Mourão se sente confortável para cogitar publicamente um golpe militar. Esse fatos pinçados indicam que o conservadorismo está na moda no país, mas há muitos outros. A onda reacionária já virou tsunami e parece que ainda não atingiu o seu auge.

Ostentando crucifixo preso na parede do plenário, o STF, instituição máxima do Poder Jurídico de um Estado laico, decidiu por 6 votos a 5 que professores do ensino público poderão ensinar suas próprias religiões em sala de aula. A decisão se deu a partir de uma ação da PGR, que propunha que o ensino religioso deveria tratar “das doutrinas, práticas, histórias e dimensão social das diferentes religiões” - nada mais coerente e óbvio para um país que prevê a laicidade do Estado na sua Constituição.

A lei já previa a obrigatoriedade do ensino religioso, mas não determinava se as aulas poderiam ser ligadas a alguma religião específica. Como havia essa brecha na lei, a ação da PGR pretendia proibir o ensino confessional por violar o princípio do Estado laico. A maioria dos juízes discordou que exista essa violação, já que a presença nas aulas de religião é facultativa. O fato de ser opcional não muda o fato de que contribuintes de várias religiões, inclusive os ateus, irão pagar para a promoção de religiões das quais não fazem parte.

Trata-se, obviamente, de uma violação da laicidade estatal. Agora, padres e pastores estão autorizados pelo STF a catequizar na rede pública de ensino, inclusive aqueles que literalmente demonizam as religiões afro-brasileiras. Não nos enganemos, apenas as religiões cristãs serão ensinadas em sala de aula.

Enquanto o STF abre espaço para que um assunto da esfera privada seja ensinado nas escolas, o projeto Escola Sem Partido proíbe que professores exponham suas visões políticas aos alunos. Partidos de direita, a bancada evangélica e o MBL são os principais agitadores da ideia e estão obtendo sucesso. No auge dos seus delírios anticomunistas, pretendem combater uma suposta “doutrinação ideológica marxista” em sala de aula. São 62 projetos de lei que estão em tramitação em câmaras municipais do país e em pelo menos quatro cidades já foram aprovados. Não importa se o MPF já declarou por diversas vezes que o projeto é inconstitucional, nem se o ministro Barroso do STF tenha suspendido a lei em Alagoas justamente por sua inconstitucionalidade. Quem dá bola para a Constituição nesses tempos de hoje?

O padre poderá ensinar tranquilamente que a humanidade surgiu com Adão e Eva, enquanto o professor de História terá que tomar muito cuidado para falar sobre a Revolução Russa ou Cubana. Como o professor deverá chamar a intervenção militar de 1964? Golpe ou Revolução? Dilma caiu por um impeachment legítimo ou por um golpe parlamentar? Quem decidirá os termos que o professor usará em sala de aula? Quem será o censor que julgará se há ou não doutrinação ideológica? Não é à toa que o projeto é chamado de Lei da Mordaça.

Os reacionários estão mais fortes do que nunca. Após a declaração golpista do General Mourão, um pesquisa do Instituto Paraná identificou que 43,1% dos brasileiros apoiam um golpe militar. Apesar do instituto não ser dos mais confiáveis, o quadro não me parece tão distante da realidade quando o maior entusiasta da ditadura militar aparece entre os líderes nas pesquisas de intenções de voto. Ou quando o Datafolha revela que as Forças Armadas são a instituição em que os brasileiros mais confiam. 

O mais estarrecedor da pesquisa é que jovens entre 16 e 24 anos são os mais favoráveis à proposta - parece que a tal “doutrinação marxista” imposta pelo professores não está dando tão certo, não é mesmo? Em dezembro do ano passado, o instituto fez a mesma pesquisa e concluiu que 35% dos brasileiros eram apoiadores da intervenção. Ou seja, o golpe militar ganhou oito pontos de apoio em apenas nove meses. Se esse viés de crescimento continuar, podemos chegar às vésperas das próximas eleições com a maioria dos brasileiros aprovando a tomada do poder pelos militares.

E é nesse ambiente propício que Jair Bolsonaro aparece com 21% de intenções de voto, com viés de alta. Em um mês, cresceu 7 pontos. É uma porcentagem altíssima, perde por pouco apenas para Lula, que provavelmente não concorrerá. Como bem lembrou Tomás Chiaverini para The Intercept Brasil, há uma certa negação coletiva sobre a possibilidade de Bolsonaro se tornar nosso próximo presidente. Argumentam que ele não tem estrutura partidária por trás, terá pouco tempo de TV na propaganda eleitoral e é um falastrão sem estofo político e intelectual que se enrolará nos debates. Bom, eu acredito que esses fatores podem ser bastante favoráveis para ele, em tempos de insatisfação geral e negação da política. As candidaturas de Trump e Doria percorreram caminhos bastante parecidos. Já passou da hora de a gente acender o sinal vermelho. O tsunami reacionário não está para brincadeiras.

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Generais Etchegoyen e Mourão servem às privatizações de lesa-pátria e ao hipotético golpe militar

Por Davis Sena Filho — Palavra Livre

"Atenção generais Sérgio Etchegoyen e Antônio Hamilton Mourão: os marechais legalistas Henrique Lott e Odílio Denis e os generais legalistas Dias Lopes e Pery Bevilacqua mandaram a vossas excelências aquele abraço. Para não esquecer..."

Não é a primeira vez que os generais Sérgio Etchegoyen e Antônio Hamilton Mourão dão declarações estapafúrdias, mas políticas, assim como de conotações golpistas e até mesmo privatistas, porém, indubitavelmente, perigosas para um País que está aceleradamente prestes a deixar de ser dono de seu parque industrial privado e público, sendo que o pior desse processo irresponsável e entreguista é que as empresas estatais brasileiras, inúmeras delas vinculadas ao conhecimento tecnológico e científico, ficarão sob a posse de governos estrangeiros e da iniciativa privada de capital internacional.

E por que esta loucura perpetrada por moleques acontece? Porque simplesmente uma quadrilha de ladrões e usurpadores tomou o poder de assalto e decidiu, com a cumplicidade e a aquiescência do STF, da PGR, do Congresso e das Forças Armadas, pelo o que se está a perceber, que o Brasil abre mão de suas empresas estratégicas e de seu mercado interno para se tornar um País que retrocedeu à Velha República, porque o Império, a despeito da terrível e desditosa escravidão, não foi tão subordinado, servil, antinacionalista e antipopular perante os países hegemônicos.

A verdade é que os homens e as mulheres do desgoverno ilegítimo do pária e traidor, *mi-shell temer, deveriam ir à cadeia, sendo que em alguns países mais sérios do que a Banânia terceiro-mundista tais indivíduos da pior qualidade seriam presos, demitidos para o bem do serviço público e, quiçá, fuzilados, como ocorreu recentemente na Turquia do presidente eleito Tayyip Edorgan.

O líder otomano demitiu e prendeu aos montes os sediciosos, ou seja, os juízes, procuradores, delegados, oficiais militares, políticos e empresários, ou seja, debelou o golpe promovido por pessoas vinculadas a interesses do geopolíticos dos Estados Unidos, do grande capital e das poucas potências da Europa Ocidental e membros da OTAN, que, evidentemente, nunca aceitaram a autonomia e a independência turca, principalmente no que diz respeito à Turquia ser a ponte principal entre a Europa e a Ásia, desde os tempos imemoriais.  

Porém, aqui em terras tropicais, existe a Banânia; e ela é demograficamente ocupada pela mais colonizada, inconsequente e irresponsável casa grande (ricos, oligarquia, "elites", classe hegemônica ou o que o valha) que se tem notícia no mundo ocidental. Realmente e verdadeiramente, o Brasil, que foi severamente humilhado e diminuído por causa de um mais um golpe de estado, bem como subjugado à condição de republiqueta bananeira e cucaracha, possui uma elite política e econômica que odeia profundamente o País onde vive e aufere seus gigantescos lucros.

Trata-se de uma "elite" patrimonialista e privada, que tem e sempre teve historicamente a apoiar seus interesses os servidores públicos de alto escalão, tanto no Judiciário, no Executivo e no Legislativo, além das Forças Armadas e das inúmeras corporações dos órgãos de segurança federais, estaduais e municipais. Ponto.

E por que eu estou a pensar e a escrever sobre tais questões brasileiras, se o assunto são os dois generais do Exército que estão, imprudentemente e ousadamente, a deitar falação, além de ser perceptível que ambos militares estão a mostrar certa soberba quando se trata de se pronunciar sobre questões que não são de suas alçadas e responsabilidades, quando se trata, por exemplo, da venda perversa, subalterna e entreguista do patrimônio público nacional, que, evidentemente, envolvem estratégias de soberania e independência do Brasil.

Aqui neste País de servidores públicos privatistas, até parece literatura fantástica, piada, gozação ou deboche, mas é o fato real, autoridades de instituições e corporações do Estado são favoráveis às privatizações e ao desmonte do Estado nacional, que, obviamente, tornar-se-á, e rapidamente, em estado colonizado e estruturalmente repartido e dividido pelos estrangeiros, como se fosse carcaça devorada por hienas, chacais e abutres, a exemplo dos estados árabes e africanos, de forma que a sociedade brasileira e o governo eleito fiquem desprovidos de ter e determinar a efetivação de projetos a serem realizados por empresas estatais de relevância estratégica.

Além disso, um País que não manda em suas riquezas e empresas públicas fica à mercê da vontade dos interesses econômicos e geopolíticos de estrangeiros, inclusive subordina-se no âmbito militar, assim como perde o controle do mercado interno e o comando das ações de infraestrutura, como decidir, de forma autônoma, sobre os investimentos em rodovias, portos, aeroportos, ferrovias, hidrelétricas e construção civil em geral, além de definir os recursos para a saúde e a educação públicas, sem que os interesses privados se sobreponham aos interesses coletivos da Nação, como já acontece no governo do pulha e chefe de quadrilha *mi-shell temer, de acordo com a PGR e a PF.

Portanto, vamos ao que interessa: Será que os generais golpistas e privatistas gostariam de ver as Forças Armadas privatizadas? Esta é a pergunta, a ser respondida por eles e por muitos oficiais da ativa e da reserva, que apoiaram o golpe e foram às ruas, juntamente com os coxinhas de classe média e amantes do pato amarelo, o símbolo do golpismo nacional e da Fiesp, para que um governo ilegítimo de vendilhões e corruptos tomasse conta do País, sem ter sido eleito pela maioria do povo brasileiro. Seria uma boa, não é cara pálida, a privatização das Forças Armadas?! O que você acha?

Afinal, o general Etchegoyen, dublê de político e economista, disse: ​“A preocupação com a soberania nacional é o começo do discurso que levou ao nosso déficit de infraestrutura. As privatizações não ameaçam a soberania nacional, e abordar a questão por esse ponto sempre acaba travando os projetos” — e completou o 'grande estrategista da grandeza de um estadista': "Se a cada iniciativa nós formos acrescentando novos limites, não vamos conseguir recuperar nosso déficit de infraestrutura”.

Nossa... Palmas! Não é o que merece o servidor público do Exército, assalariado e pago pelo contribuinte? Não é o que merece o militar de cabeça empresarial, neoliberal e vinculado a um governo fantoche e sabujo, além ser totalmente  pró-empresariado, a ter os banqueiros como seus principais parceiros, assim como completamente descolado dos interesses da grande maioria da população, o que denota, indelevelmente, não ter qualquer responsabilidade com o País e seu povo trabalhador. Não é incrível ou inacreditável um general assalariado e de classe média pensar assim?

Depois vai para a reserva, viver de uma aposentadoria financeiramente mediana e a continuar a cuidar dos filhos e netos, que, seguramente, necessitam, em um País duro de viver como este, da ajuda de seus pais, o que não é nenhum demérito, porque cada um e cada qual com seus problemas, pois sabedores onde o calo dói e o sapato aperta. O militar de alta patente vai para a reserva e os golpistas civis vão continuar com suas vidas de ricos e muito ricos, a contar a dinheirama conseguida em anos de política, sempre usada como ferramenta para ganhos pessoais e privados. É isto o que acontece. Não é mesmo, general Etchegoyen? Ponto.

Aonde esses generais aprendem a ter princípios e valores indubitavelmente favoráveis a um capitalismo selvagem como o brasileiro, que propiciou à Nação um processo de desigualdades tão violento e excludente? O que ensinam a esses servidores fardados de verde oliva? Como pode o Brasil estar a ser vendido por uma quadrilha de corruptos e ladrões, e os generais a se preocupar em dar golpe de estado, que, para disfarçar as más intenções, chamam-no de "intervenção constitucional militar". É tanto o cinismo, que beira o escárnio.

Onde aprendem tamanha subordinação e amor profundo pelos Estados Unidos, pois se trata de uma obsessão ter relações próximas e íntimas com os militares estadunidenses, ao ponto de não se importarem que os milicos gringos façam manobras cojuntas na região próxima à fronteira da Venezuela, um país irmão, latino-americano, sul-americano e que tem muito mais identidade cultural com o Brasil do que os Estados Unidos, que sempre trataram a riquíssima, multirracial e multicultural América Latina como quintal do Tio Sam.

A verdade é que a América Latina é fantástica e que se tivesse governantes comprometidos há séculos com suas diversificadas sociedades, certamente que o Brasil e todos os países de língua espanhola dessa parte do mundo estariam em um patamar de bem-estar social avançado, pois nem o frio gelado do hemisfério norte prejudica os povos do hemisfério sul.

O que esses generais aprenderam na Eceme, na ESG ou aprenderam mais cedo, em escolas para jovens como a Aman, por exemplo? A grande maioria dos oficiais brasileiros sempre optou, no passado e no presente, em apoiar os interesses políticos e econômicos das classes dominantes e hegemônicas. Trata-se de uma verdade e realidade históricas, como ocorreu em 1932, 1954, 1955, 1961 e 1964, quando oficiais generais apoiaram movimentos golpistas e de carácteres elitistas, que fracassaram ou não. E sempre contra presidentes trabalhistas e populares.

O alto oficialato, em sua maioria,  sempre foi distante dos interesses do povo e, com efeito, cruza os braços, inclusive, para a entrega do patrimônio público brasileiro. O "nacionalismo" militar se resume apenas a eventos cívicos e a guardar as fronteiras, sendo que internamente o Brasil é severamente desnacionalizado, e não há um único militar de cúpula das Forças Armadas para questionar tamanha patifaria contra os interesses do Brasil. Não estou a falar de intervenção militar, pois é preferível viver a combater esse desgoverno de bandidos do que ter de conviver novamente com uma ditadura militar, que no Brasil durou longos e sofridos 21 anos. Só quem viu e tem consciência sabe o que é uma ditadura civil-militar.

Porém, o que impressiona é que os militares são servidores de ofício e responsabilidade típicos de Estado, conforme reza a Constituição, que, por causa de seu cargo e carreira, deveriam, sobretudo e obrigatoriamente, pensar em soberania, independência e defender os programas estratégicos do Brasil, do Estado brasileiro, independente dos governantes eleitos ou não, como é o caso, ressalto novamente, do quadrilheiro mi-shell temer, de acordo com a PF e a PGR.

Não basta, generais Etchegoyen e Mourão, serem "nacionalistas" de marchar, participar de desfiles cívicos, bater continência às autoridades e à bandeira, entrar em forma e cantar hinos e canções militares e civis relativas ao País e ao Exército. Não basta... Ser nacionalista é lutar pela soberania e a independência do Brasil, bem como defender os interesses estratégicos do Estado nacional, além de ficar ao lado dos direitos e das garantias do povo brasileiro e de seus trabalhadores.

Do contrário, o Exército e as outras Forças Armadas ficarão eternamente na condição de guardas pretorianas dos ricos e dos muitos ricos, a garanti-lhes opulência e bem viver financeiro, material e patrimonial. Só isto, general, e isto é muito pouco para o grande povo brasileiro, que é infinitamente maior do que a burguesia proprietária da casa grande, a qual vossa excelência serve e não se envergonha, como não se envergonham os coxinhas de classe média, que esconderam suas panelas e guardaram as camisetas amareladas da CBF, mesmo a ver os roubos e arroubos do usurpador *mi-shell temer.

Cinicamente os coxinhas não reconhecem o tamanho da imbecilidade e idiotice que fizeram, porque não se fazem de rogados, a fingir que não têm culpa de nada ou que estão moderadamente "arrependidos". Cinismo e hipocrisia aplicados diretamente nas veias! Este é o Brasil do golpe e do pós-golpe. Este é o Brasil onde se tira a fórceps os direitos e garantias dos trabalhadores, dos estudantes e dos aposentados. Este é o Brasil que se entrega as estatais e todo seu conhecimento estratégico, científico e tecnológico.

Este é o Brasil da diplomacia da dependência, do tirar os sapatos e arriar as calças do governo Fernando Henrique e agora de *mi-shell temer, a abdicar de ser protagonista e estrategista de órgãos e fóruns internacionais como os Brics, G-20, Mercosul, Unasul e ONU. Este Este é o Brasil do golpe! O Brasil servil, subalterno, subserviente e colonizado, a se resumir a uma republiqueta das bananas e satélite dos Estados Unidos. Este é o Brasil portador de um inenarrável, indescritível e incomensurável complexo de vira-lata. Este é o Brasil dos generais Mourão e Etchegoyen. E eles, pasmem, são generais da terra brasileira!

Eles são a favor de golpe e o chefe da GSI já disse que é privatista. Porém, comecemos pelos prédios, casa e vilas militares. Fechemos quartéis, como estão a fazer com as agências do Banco do Brasil e da Caixa Econômica, além de enfraquecer de morte o BNDES. Vende-se, por exemplo, os prédios da Praia Vermelha no Rio de Janeiro, bem como, já está a acontecer, sucateia-se o material bélico e o armamento das Forças Armadas e entregues aos estrangeiros os projetos e programas nucleares, como as Usinas Angras e os submarinos nucleares, bem como a Base de Alcântara e os satélites brasileiros, além de outros projetos e programas militares importantíssimos para a soberania e defesa da Nação.

Entregue-se tudo, mas não apenas o patrimônio da sociedade civil brasileira, a exemplo da Petrobras, do Pré-Sal e da Eletrobras. Aí não! Ou tudo ou nada! Afinal, se é para o general ser privatista, que seja de verdade... Ponto. Continuo. Por que não vender as escolas do Exército, como os Colégios Militares, a Preparatória de Cadetes e a Amam, dentre outras escolas da Marinha e da Aeronáutica? Por que, não? Afinal o governo corrupto e golpista do presidente pária, vulgo *mi-shell temer, tem a intenção de vender para privatizar as universidades federais e exigir que os estados devedores vendam as universidades estaduais... Por que, não?

Este governo sem vergonha está a privatizar as companhias de água e luta para vender partes do solo brasileiro para estrangeiros. Qual é o problema, general Etchegoyen? Este País é de vocês e não do povo trabalhador, não é mesmo? Decidiram derrubar uma presidente legalmente reeleita, por que então não ferrar com tudo de uma vez e, com efeito, deixar os burgueses com o sorriso largo e eternamente fixado na cara dos donos da casa grande, a quem muitos generais do passado serviram e muitos generais de hoje servem, a exemplo de vossa excelência.

Por que, não? O general é um militar que não tem preocupação com a soberania nacional. Para ele, esse papo de soberania atrapalha a venda do patrimônio público e prejudica as negociações com os estrangeiros, neste caso a China, que vai meter a mão na Eletrobras e controlar os preços da energia elétrica, em um País geograficamente imenso e populoso. É o seguinte: quando um País vende suas posses, ele passa a ter um povo empregado de quem comprou. Entendeu ou quer que eu desenhe? General Etchegoyen, o famoso jargão "negócio da China" virou negociata do Brasil. E por quê. Porque quem está a vender o Brasil é o governo ilegítimo, bastardo e pária do *mi-shell temer. All right?!

Contudo, aqui é a Banânia, por culpa também de gente como o chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), o general Etchegoyen, homem de confiança do golpista e traidor *mi-shell temer. Por culpa de gente como o oficial, tanto em âmbito civil quanto militar, temos um País que eternamente será uma gigantesca colônia desimportante em âmbito mundial e agora até em termos regionais, porque o Brasil é tratado como uma Nação pária e refém de golpes de Estado, como o 2016, pois travestido de legal e legítimo.

Somente os idiotas e os energúmenos anacrônicos acreditam que o golpe bananeiro e de terceiro mundo foi para combater a corrupção e melhorar a economia. Somente um pateta convicto e por vocação acreditaria nessa farsa e fraude. E deu no que deu: o governo mais corrupto, traidor e entreguista da história da República, o que, certamente, não edificará a biografia do general Sérgio Etchegoyen, chefe militar de um desgoverno de direita com vínculos carnais com a CIA, conforme comprovou sua agenda oficial de 9 de junho, que foi repercutida pela imprensa sediciosa e de mercado, que indicava encontro do general do GSI com o chefe da CIA no Brasil, Duyane Norman.

A trapalhada no que tange ao encontro foi enorme, digna de comédia pastelão, porque a equipe do general divulgou a identidade secreta do agente estadunidense, que protegia e preservava tanto sua identidade, que, se bobear, nem ele próprio saberia dizer quem ele é. Agora, vamos a pergunta que não quer calar: "O que conversou o general, que assumiu cargo de poder em um governo golpista, com o chefe da agência de espionagem dos Estados Unidos? Com a resposta, o próprio oficial general.

Entretanto, a entrevista do general neoliberal e privatista é realmente um espanto, de fazer o pato amarelo da Fiesp ficar rouco, pois para fazer o queixo de qualquer cidadão de inteligência mediana cair. E eu, humilde escriba, faria algumas considerações ao militar, pois apenas oposicionistas ao pensamento antinacional, antidemocrático e antipopular dos golpistas e usurpadores que tomaram de assalto o poder central, com a seguinte pergunta ao "gênio" da economia e ao "estadista" da política — o general Sérgio Etchegoyen:

General, és um militar que sempre deu declarações ao público, mesmo na ativa, o que é terminantemente proibido e por isto que geralmente quem dá declarações ao público são oficiais da reserva. Porém, aqui é o Brasil, território gigante, mas que jamais será uma Nação, porque aqui vale tudo, inclusive dar golpes de estado bananeiro, porque o propósito é deixar 70% ou 80% do povo brasileiro sem acesso a um estado de bem-estar social e privilegiar as castas ricas da economia e as castas de servidores de poder e mando do Estado nacional. "Então, general Etchegoyen, o senhor concorda com a privatização das Forças Armadas?" Com a resposta, o próprio general do GSI e seus colegas de farda, principalmente os oficiais.

Porque, pensemos: já que as privatizações de empresas públicas e a paralisação de programas estratégicos, como o do submarino nuclear, bem como a entrega do Pré-Sal não ameaçam a soberania nacional, então para quê manter as Forças Armadas? Para quê termos oficiais, prepará-los, treiná-los e gastar enormes recursos orçamentários se abrimos mão de nossa soberania e independência? Então é melhor não termos Forças Armadas próprias e entregarmos a nossa segurança aos EUA, como eles fazem na Europa com a Otan e também no Japão e na Coreia do Sul.

Que sejamos, definitivamente, um protetorado gigantesco e de tamanho continental pertencente aos Estados Unidos. A casa grande brasileira e parte do generalato sempre gostaram de ter relações carnais com os norte-americanos, como demonstra, inquestionavelmente, a história do Brasil e de suas oligarquias colonizadas, provincianas, subalternas e que jamais pensaram o Brasil, pois sem projeto de País. Fato! Simples assim.

A verdade é que o inimigo do Brasil e de seu povo não é o povo e o estado estrangeiro. O inimigo feroz e algoz do Brasil é a burguesia brasileira — a proprietária secular da casa grande e os coxinhas de classe média seus aliados e empregados de suas empresas ou do Estado nacional. Coxinhas igualmente privatistas e entreguistas, diga-se de passagem. A burguesia deste País bananeiro odeia profundamente o Brasil. É visceral. Realidade factual para a psiquiatria e a psicanálise pesquisar e estudar, porque se trata de ódio abissal e complexo de vira-lata sem precedentes na história da humanidade.

Para quê Forças Armadas se os estadunidenses estão "sempre" dispostos a defender o Brasil de ameaças externas, afinal nossas riquezas cooperam, e muito, para os EUA manter o bom padrão de vida de seu povo, enquanto o brasileiro vende o almoço para poder jantar. Não é mesmo, general Etchegoyen, afinal, como vossa excelência disse, as redes elétricas ficarão no Brasil e não na China, apesar de os chineses passarem a mandar na estatal de imensa importância estratégica, como o é a Eletrobras. Enfim, a China passará a controlar a geração, a transmissão e a distribuição de energia elétrica em todo o território nacional. Não é uma beleza, general privatista, apesar de ser servidor público? Por sua vez, eu tenho a absoluta certeza de que o general neoliberal jamais aceitaria privatizar as Forças Armadas. Aí não, pois somente nos olhos dos outros pimenta é refresco.

Enquanto o general Etchegoyen dá seus palpites e opiniões sobre privatizações, outro general, o Antônio Hamilton Mourão, está a tratar de assuntos políticos como "intervenção militar", ou seja, golpe militar, um tema que toca fundo a sociedade brasileira, que foi subordinada e violada, muitas vezes inescrupulosamente, pela força do arbítrio e da violência por parte do Estado, que teve apoio de empresários milionários de inúmeros ramos de atividade, a exemplo do falecido Roberto Marinho, dono das Organizações(?) Globo.   

É inacreditável, apesar de muitos dizerem que a história se repete como farsa, a verdade é que o general Mourão, o mesmo sobrenome do general golpista de 1964, que saiu de Minas Gerais em direção ao Rio de Janeiro, a deflagrar o golpe civil-militar, que derrubou o presidente legítimo, constitucional e trabalhista João Goulart — o Jango —, que iria dar início às reformas de base tão necessárias para o desenvolvimento do povo brasileiro.  

E não é que o general sedicioso e da ativa está a deitar falação, a se insubordinar em público e a desobedecer deliberadamente as regras, as normas e o regimento interno do Exército Brasileiro (EB). O militar de alta patente foi à Maçonaria, uma entidade hiperconservadora e useira e vezeira em financiar e promover golpes no Brasil e no mundo inteiro. Só falta agora tal general ir à TFP, à Opus Dei e à Ku klux Klan, de forma que seus membros ouçam atentamente seus desejos golpistas e, sejamos realistas, implementar outra ditadura militar. É mole ou quer mais.

O general Mourão e seu colega Etchegoyen são partículas de uma mesma peça. São militares de direita e que gostam de falar, independente de punições, pois o primeiro foi punido no Governo Dilma e afastado da tropa, e o segundo foi punido com poucos dias de prisão quando era capitão ao se insubordinar ao defender seu pai, também general, que foi acusado oficialmente de ter participado da repressão e ter trabalhado em órgãos e locais onde aconteceram torturas e mortes contra os adversários da ditadura militar.

Mourão afirmou, sem vacilar, que uma intervenção militar na Banânia é factível, afinal este é um País realmente e verdadeiramente de terceiro mundo e cucaracha, que eternamente será um satélite a serviço dos mandos e desmandos dos Estados Unidos. Ponto. Mourão é chefe da Secretaria de Economia e Finanças do Exército, um cargo burocrático. Mas, mesmo assim ele vai à Maçonaria falar de golpe. Talvez porque o militar não saiba o que aconteceu de 1964 a 1985. Acho que é isto. Será que tal oficial não percebe que o melhor para o País é legitimar as urnas e o povo eleger um presidente legítimo e eleito?

Claro que ele percebe. A ameaça de golpe de Mourão tem endereço certo: o Judiciário e o Lula. O Judiciário é o sujeito visível e o Lula o sujeito oculto das palavras toscas e insanas do general Mourão, que deveria cuidar de suas responsabilidades dentro do EB ao invés de se meter em política, a não ser que queira ser candidato. Então que se filie a um partido, de preferência de extrema direita, e concorra às eleições de 2018.

Quando o Mourão toma, imprudentemente, satisfação do Judiciário, para que o Poder da República resolva logo as questões relativas aos políticos processados, julgados e presos, o general, na verdade, está a sinalizar que a volta de Lula como presidente não será aceita, mesmo se o Lula, hipoteticamente, não for preso, porque a verdade é que nada, mas nada mesmo foi provado se o líder trabalhista incorreu em crimes comuns e de responsabilidade.

Entretanto, como já disse anteriormente, os generais e a direita em geral, querem e desejam um País para poucos e por este motivo, dentre outros motivos, como os bandidos do Palácio Planalto escaparem da cadeia (não é mesmo, senador Romero Jucá?), transformam o Brasil numa grande zona, em uma bagunça sem precedentes, porque a crise brasileira teve hora para começar, mas não tem hora para terminar. Já são quatro anos de crises políticas, econômicas e golpes.

O povo brasileiro está irremediavelmente dividido e a fúria e a intolerância são radicais dentro da sociedade brasileira. Só não vê quem não quer. Golpista dá golpe e assume o poder, mas tem de pagar altíssimo preço e governar um País ingovernável... E aí vem o general Mourão, de forma absurdamente simplória e sem noção, querer resolver a grave crise política brasileira com canhões e soldados. Realmente, o general deve ter saído da sala durante as aulas de história, pois este servidor público pago pelo contribuinte ao que parece não sabe de nada.

Mourão rasgou solenemente os regulamentos, a disciplina do Exército. Afrontou a Constituição, que já foi violada por juízes, procuradores e delegados. O general deu um pontapé no Estado Democrático de Direito e ameaça o regime democrático, que está a passar por grave crise com a tomada do poder republicano por parte do quadrilhão do usurpador *mi-shell temer.

O oficial general disse ainda, na direitista Maçonaria, que suas posições conspiratórias e golpistas são as mesmas do Comandante Geral e do Alto Comando do Exército. Este mesmo oficial se mostrou, em 2015, desobediente e indisciplinado, quando foi retirado por seus superiores hierárquicos do Comando Militar do Sul. O motivo de sua punição foi o mesmo motivo de agora: conspiração e golpismo terceiro-mundista.

Agora, eu pergunto: se houvesse outro golpe militar no Brasil, quais seriam as propostas do general? Será que ele pensa o Brasil como a UDN e seus partidos herdeiros jamais pensaram? Se for como a UDN, coitado do já coitado Brasil. Qual seria seu programa de governo e projeto de País, general Mourão? As demissões, as perseguições, os exílios, as prisões e as mortes? Porque ditadura é ditadura e sem mais explicações e definições.
    
Porém, o general que deveria ser severamente punido está à vontade, como pinto no lixo. Pode fazer o que quer e como desejar, afinal quem manda no País é um presidente traidor, golpista e considerado pária pela comunidade internacional e ladrão pela PGR. O Governo se omite. O Ministério da Defesa do ministro golpista Raul Jungmann se cala e tudo fica com dantes no quartel de Abrantes. É o Brasil do golpe e da deposição de Dilma Rousseff. Uma bagunça só...

Em retomada da democracia, os generais não pensam. Eleições diretas, nem pensar. Afinal e evidentemente tais generais podem ser tudo, menos campeões de votos e estadistas. A ameaça frontal do general Mourão contra o que resta de democracia neste País é uma afronta e provocação barata e desrespeitosa. O general deveria ser punido imediatamente. O processo democrático brasileiro foi rompido pelo impeachment (golpe) mequetrefe travestido de legal e legítimo.

O Brasil sabe o que é ditadura, general. Por que vossa excelência, diante dos direitistas da Maçonaria, não aproveitou o ensejo para defender a carteira de trabalho - a CLT dos trabalhadores? Por que não disse que discorda veementemente da patifaria e malandragem contra os direitos previdenciários dos brasileiros? Por que não se disse contra as privatizações de lesa-pátria desse governo espúrio e fantoche frequentado por bandoleiros que estão na cadeia ou prestes a ir para a jaula? Por que não protesta contra o sucateamento das Forças Armadas e do congelamento de programas de defesa e segurança estratégicos para o Brasil?


Por que, general, servidores públicos como o senhor se alinham aos interesses da burguesia nacional e dos  estrangeiros contra o Brasil, se a verdade é que os militares são assalariados de classe média e não fazem parte  das castas dos ricos e dos muito ricos? Responda general, e depois bata continência para a bandeira brasileira. Generais Etchegoyen e Mourão servem às privatizações de lesa-pátria e ao hipotético golpe militar. Só democracia e eleições diretas e livres retomam a paz e o desenvolvimento do Brasil. A crise tem nome, generais: golpe de 2016! É isso aí. 

Brasil não cresce se não reduzir sua desigualdade, diz Thomas Piketty.




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Piketty: as elites só aceitam pagar mais impostos com as guerras
Conversa Afiada reproduz da Fel-lha trechos da entrevista do economista francês Thomas Piketty, autor do clássico "O Capital do Século XXI", a Ricardo Balthazar:


(...) Folha - O estudo de Morgan mostra que a renda da metade mais pobre aumentou junto com a dos mais ricos. Por que a concentração no topo da pirâmide é tão preocupante?

Thomas Piketty - Porque, apesar dos avanços dos últimos anos, o Brasil continua sendo um dos países mais desiguais do mundo. Em nossa base de dados, só encontramos grau de desigualdade semelhante na África do Sul e em países do Oriente Médio.

Houve um pequeno progresso nos segmentos inferiores da distribuição da renda, beneficiados por programas sociais e pela valorização do salário mínimo. É alguma coisa, mas os pobres ganharam às custas da classe média, não dos mais ricos, e a desigualdade continua muito grande.

Reduzir a desigualdade é só questão de justiça social ou de eficiência econômica também?

Ambos. O grau de desigualdade extrema que encontramos no Brasil não é bom para o crescimento econômico e o desenvolvimento sustentável.

A história dos EUA e da Europa mostra que só depois de grandes choques políticos como as duas grandes guerras do século 20 a desigualdade diminuiu e a economia cresceu com vigor, permitindo que fatias maiores da população colhessem os benefícios.

No Brasil, podemos concluir que as elites políticas e os diferentes partidos que governaram o país nos últimos anos foram incapazes de executar políticas que levassem a uma distribuição mais igualitária da renda e da riqueza. Acho que isso é precondição para o crescimento econômico.

Seus dados indicam que a fatia da renda nas mãos dos mais ricos vem se mantendo intacta no Brasil. Por quê?

Parte da explicação pode estar na história do país, o último a abolir a escravidão no século 19, como você sabe. Mas isso não é tudo. Diferentes políticas governamentais poderiam ter feito diferença.

O sistema tributário é pouco progressivo no Brasil. Há isenções para rendas de capital, como os dividendos pagos pelas empresas a seus acionistas. Impostos sobre rendas mais altas e heranças têm alíquotas muito baixas no Brasil, se comparadas com o que se vê em países mais avançados.

Alguns desses países fazem isso há um século, o que contribuiu para reduzir a concentração da riqueza. Se você olhar os Estados Unidos, a Alemanha, a França, o Japão, em todos esses países a alíquota mais alta do Imposto de Renda está entre 35 e 50%. [No Brasil, a alíquota máxima do Imposto de Renda é de 27,5%.]

Qual o risco de uma taxação maior das rendas mais elevadas provocar fuga de investidores para outras jurisdições?

A elite sempre tem um monte de desculpas para não pagar impostos, e isso também ocorre em outras partes do mundo. A questão é saber por que a elite no Brasil tem sido bem-sucedida ao evitar mudanças no sistema tributário.

Em outros países, as elites não aceitaram pacificamente pagar mais impostos. Foi um processo caótico e violento muitas vezes. Espero que o Brasil tenha mais sorte e possa fazer isso sem passar por choques traumáticos como as guerras. É deprimente ver que décadas de democracia no Brasil foram incapazes de promover mudanças nessa área.

Não sei o futuro. Mas posso dizer que é possível ter um sistema tributário mais justo, uma distribuição da renda e da riqueza mais equilibrada, e mais crescimento econômico, ao mesmo tempo. Essa foi a experiência de outros países.

Gastar energia para resolver esse problema não tiraria o foco de políticas sociais que poderiam contribuir mais para a redução da desigualdade?

Você precisa fazer as duas coisas. Morgan mostra que as políticas sociais adotadas nos últimos anos foram boas para os pobres, mas insuficientes. Você precisa melhorar as condições de vida deles e investir em educação e infraestrutura, mas precisa de um sistema tributário mais justo para financiar isso e reduzir a concentração da renda no topo.

Não estou aqui para dar lições a ninguém. Há muita hipocrisia no meu país quando se trata desse assunto. Mas acredito que no fim todos se beneficiam com um sistema tributário mais justo e uma sociedade menos desigual, mais inclusiva e mais estável. (...)
Em tempo: a comunidade acadêmica mundial, de Cambridge a Cambridge aguarda o pronunciamento da Cegonhóloga sobre o livro clássico do Piketty para poder se pronunciar. Até lá, mantem-se em revelador silêncio. - PHA

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Cura gay: os “cristãos” contra Cristo.


quarta-feira, 27 de setembro de 2017


Cura gay: os “cristãos” contra Cristo

J
Por Fran Alavina, no site Outras Palavras:

O debate sobre a decisão judicial que dá margem legal para a estapafúrdia “cura gay” além de ter recebido as reações devidas nos últimos dias – reações que devem aumentar –, também dá lugar para que se possa ter uma visão mais complexa do que se esconde sobre esta lógica do absurdo.

Absurdidade que, por se manter na longa duração da história da repressão dos desejos dissidentes e da objetivação do corpo, acaba por se apresentar para muitos como normalidade na história da nossa cultura.

De fato, quando comparado com a história da sexualidade no Ocidente, este absurdo é a regra e não a exceção. Regras de uma suposta “normalidade”, datada desde quando o cristianismo como forma religiosa hegemônica e como tipo de consciência política dominante estabeleceu para nós a moralidade dos afetos tristes.

Tristes, pois afetos que se regem não pela liberdade do agir, mas pela conduta proibitiva; não pela completude, porém pela interdição. Trata-se de uma submissão do desejo àqueles que não gozando – no caso católico está parcela que em tese não possui o gozo sexual é o clero – podem prescrever as regras do gozo permitido.

Ora, o que é esta bizarrice da “cura gay” senão a velha proibição do prazer, a antiga interdição do gozo que o cristianismo na sua versão protestante, evangélica ou neopentecostal, herdou da versão católica?

A estratégia evangélica que agora obteve uma vitória temporária, porém expressiva, não possui nada de novo. Ela imita um projeto de poder sobre o corpo por meio da submissão às superstições teológicas de um saber determinado e legitimamente constituído.

Uma submissão do saber ao proselitismo da crença, em primeiro lugar, pois capaz de oferecer uma garantia segura para uma submissão dos corpos e dos desejos, já que discurso de poder mascarado de discurso de saber.

Em outras palavras, o debate sobre a “cura gay” é um dos dispositivos que nos permitem ver em sua inteireza a relação entre saber e poder,síntese de um inescrupuloso desejo de dominação, desejo que se dá a ver em um momento em que não basta apenas a servidão voluntária, ou seja, quando os mecanismos hodiernos da corrida proselitista estão esgarçados.

 Não é mera coincidência que agora, após os neopentecostais, evangélicos e católicos chegarem ao ápice de sua escalada midiática, recorra-se a um discurso que, por princípio, os prosélitos rechaçam: o discurso científico.

Não é pouca coisa que se tente usar de um determinado saber médico que não se dirige diretamente ao uso dos corpos, mas à subjetividade: a psicologia.

Ora, é justamente sobre este âmbito, o âmbito da psique,que se dá o campo de atuação das religiões. Um grande pensador disse uma vez que o poder mais forte é aquele que reina sobre os ânimos. É aí que reina o discurso religioso, capaz de propiciar a mais forte das coações: a coação interna.

O homem religioso é, antes de tudo, um ser de paixão. Seu mundo é tecido por camadas de afetividade que se desdobram para além das razões, ou dos absurdos aparentes. O que carece de sentido aos olhos do crente terá sentido único e reconciliador no sentimento.

Como descreve Pascal ao longo dos seus fragmentários Pensamentos, a razão da fé é demostrar que ela não possui razão alguma.

Isso não quer dizer que o sentimento religioso se confunda com o puro irracionalismo, ou que seja uma esfera carente de sentido, mas que por sua própria constituição será sempre mais um discurso de paixão do que de razão – potanto um discurso auto-referente que fará do outro, daquilo que lhe é estranho e diferente, um elemento de incômodo que quando não pode ser apagado sem deixar resquícios, deve ser modificado para ser subsumido.

Ou seja, deve deixar de ser o que é, o diferente, para se tornar o igual. Portanto, da alteridade à repetição.

Toda paixão forte, como aquela da religião, quer fazer de si a regra e a régua do mundo. É próprio da passionalidade forte acomodar-se apenas àquilo que lhe é semelhante. As divisões em inúmeras seitas e denominações que pululam na história do cristianismo é prova viva do expurgo do diferente.

É próprio deste tipo de consciência religiosa, em que a paixão encontra seus níveis mais altos, expurgar o dessemelhante.

O que é a história dos primeiros concílios senão a longa batalha do expurgo do diferente, que uma vez expulso completa a figura do herege, daquele que não possuindo mais nenhum vínculo com sua antiga comunidade pode ser objeto do mais poderoso dos ódios, segundo Espinosa, o ódio teológico?

Ao longo dos séculos, o outro para o cristão tornou-se em primeiro lugar aquele que não pertence mais ao grupo primitivo, mesmo que este outro ainda se diga cristão.

 O modo como o cristianismo – em suas mais diversas versões – lida com a homossexualidade é um espelho de como ele se fossilizou no trato com a diferença.

 É por isso que a homossexualidade traz à tona o ódio, quase insano, dos prosélitos, pois é a mais absoluta diferença em relação a uma moralidade dita “normal” e “natural”.

 É a liberdade de um corpo e a autodeterminação de um prazer constituinte que não apenas rompe com o círculo do gozo prescrito, mas reinventa os lugares e os objetos do gozo.

Não por outro motivo, o prosélito sempre verá menor culpa no homem adúltero do que no homem gay. Um desobedece certo aspecto da moralidade aceita, mas não se coloca fora dela; já o outro, está completamente fora dos seus limites.

Há aqui, neste dispositivo do afeto, uma sutileza que não deve ser desconsiderada. O gay só se faz outro porque estabelece uma relação incomum entre iguais.

Nossa alteridade é a expressão dos iguais, e não uma alteridade da exclusão, ou do expurgo do diferente.

Sutileza irônica esta, posto que foi justamente por também estabelecer uma relação incomum entre iguais, por se fazer um com os seus, que o galileu das periferias do império romano tornou-se o outro, o absolutamente outro, tanto que foi remetido à execração pública e à morte ignominiosa. Era tão outro que não poderia mais ser subsumido e aceito no interior de sua antiga comunidade.

A transexual que corajosamente se apresentou publicamente crucificada, há alguns anos, na Parada Gay de S.Paulo, apenas nos deu simbolicamente esta semelhança entre o dispositivo afetivo de gays e lésbicas e o dispositivo afetivo do cristianismo das origens.

Uma vez que a relação incomum entre os iguais torna-se o pecado sem perdão, é preciso – já que não é mais possível realizar fogueiras públicas – retirar a homossexualidade da esfera do pecado, isto é, do simples discurso religioso e realocá-lo no discurso médico, portanto transformando em uma patologia que se submete a certa clínica.

Assim, o pecado sem perdão transfigura-se em “doença curável”, enfermidade não apenas da alma, mas do desejo que pode ser passível de tratamento. Já que não se pode apagar fisicamente o diferente, se distorce àquilo que é sua maior determinação, o desejo, para apagar a diferença e subsumir o “anormal” na “normalidade”.

Por isso, o uso de um saber que, além de ser capaz de emprestar rigor de ciência às meras opiniões de uma moralidade imposta, também é um saber médico, um conhecimento clínico.

Um saber capaz de se prestar ao papel, quando manejado na mão torta dos prosélitos, de realizar a medicina da culpa. Aí, se dá a passagem do pecado à enfermidade, ou seja, do discurso meramente religioso para o discurso médico.

É um instrumento de poder refinado que gente como Silas Malafaia declare-se psicólogo, que os proponentes da “cura gay” sejam prosélitos dos setores mais alinhados com o atraso, mas que sejam tratados, segundo a determinação judicial, como “pesquisadores”.

O uso interessado de um certo saber médico para a confirmação das posições teológicas é o reconhecimento dos limites da crença, porém expõe também que o desejo de dominação de um tipo de consciência religiosa tende a não encontrar limites – é o mesmo tipo de consciência religiosa que distorce os sentidos do Estado laico, que confunde propositalmente violência simbólica com liberdade de expressão.

 Este desejo de dominação, para não se apresentar tão claramente – pois sabe que não pode mostrar à luz do dia suas entranhas protofascistas –, subverte saberes e agora encontra amparo no último poder que faltava à sua conquista: o Judiciário, o protagonista do momento.

É um momento difícil, no qual o dispositivo afetivo de desejo entre os iguais é confrontado violentamente por outro desejo, o desejo de dominação e submissão.

Assim, para além de absurda e quão caricata possa ser a questão, está em jogo um problema político dos mais determinantes, pois como dizia certo odiado pensador, é própria do corpo político saudável o desejo de não se deixar dominar.

Ora, quando um dos elementos desse corpo político deseja dominar, vê-se o quanto está doente este corpo. Portanto, vale agora, mais uma vez, o alerta de Pasolini: “Estamos Todos Em Perigo”!

-do blogdomiro